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Um louco apaixonado pelas palavras da vida. Cada dia mais nú, cada dia mais cru. Até virar pó e cinzas...

sábado, 6 de novembro de 2010

Incoerência

Que inferno, sou muito influenciável. Não há menos que 20 minutos que tento começar a escrever no blog. Problema: escolher a música que vai tocar enquanto escrevo. Eita, já sei: Eric Clapton.

Agoooooora sim. Junto ao solo inicial de Stormy Monday continuo.

Enfim, atordoado como sempre - será que isso um dia vai parar? É como esperar ser engolido por uma onda. Estar ali, com água na cintura, de braços abertos, de frente para o infinito. Receber uma porrada no peito, se envolver na confusão de águas, perder a noção de direção, os sentidos, o fôlego e ser jogado na areia, exausto! Não, não vai passar. Eu até que gosto. E mais, depois de uma "vaca" como esta, nunca haverá outra água de coco igual. Pode ter certeza.

O verão chega quente. E o tempo não me deixa sequer parar para ver. Lembro que no inverno via mais céus azuis. Tenho a impressão que está branco ultimamente, tão forte é a luz que vem de lá. Adoro isso aqui nessa época, o calor vem do chão. Não tem como fugir. O fogo queeeimaa! As pessoas vão enlouquecendo aos poucos, a natureza talvez seja a maior responsável pela loucura verãocarnavalesca de "Hellcife". Alguma coisa cozinha em 3 ou 4 meses de quentura, aposto minhas fichas no cérebro. Mas tem coisas que inevitavelmente ficam geladas: dedos, boca e garganta.

Engraçado que eu nem sei mais como tudo começou. Um setor da administração memorial do meu processador é responsável pela eliminação dos registros referentes ao início do fim de qualquer acontecimento. Bom esse sistema neh?! Fica, pode levar. Eu sei que as coisas das quais não me lembro são de extrema importância. Primeiro indício disso é eu não lembrar. Se fosse de extrema inutilidade eu certamente lembraria.

Alguém um dia me disse: abençoado é o homem de muita saúde e pouca memória. Até tento me manter saudável, mas eu esqueço...

sábado, 30 de outubro de 2010

Sexta feira, 29 de outubro de 2010. Um dia. Em seu último minuto cheguei ao aeroporto. Quase duas horas se passaram e eu ainda estava lá. Pensando. Pensando. Pensando. E vendo o meio mundo de gente que desembarcava. O que me fez pensar em escolhas, mais precisamente na minha relação com a diversidade. Senti que por um bom tempo admirei muito e experimentei pouco.

Marquei mentalmente minha saída para 16hrs. O dia foi bastante... mazelado - para descrever como um bom recifense. Não queria ir ao banco, pegar um ônibus, descer na 13, andar que só a porra - com o tempo chuvoso -, depois voltar andando o mesmo percurso... não, sem contar que sacar dinheiro é motivo pra gastar. "Vou de bike. É pra se molhar? Eu vou me molhar muito."

Cheguei no Muda ensopado. Direto para o banho. Duas horinhas correram voando... an?(?)? E começa o espetáculo; ontem para seleto grupo de 15 ou 16 pessoas que viram um espetáculo redondo - à parte um pequeno deslize. Tomei um banho, peguei a bike e voltei percorrendo o velho caminho do mau: Muda, Central, Recife Antigo. Saí ileso do primeiro, também do segundo, mas no terceiro... Morri no Novo Pina. Mas cá entre nós, Novo Pina é apelação, sempre tem alguém conhecido. Vários nesta ocasião. Sentei rapidinho, claro. "Xeru, xeru e xau." Tinha que voltar, era tarde e o Cais José Estelita me esperava silencioso. Fui sem as mãos até quase o final. Não consegui, minhas pernas cansaram.

Cheguei no aeroporto meio atordoado, tinha muita gente. Se agora no feriado estava daquele jeito, imagino o que vai ser no verão, final do ano. Ui. E o carnaval? Credo. Bom, mas nem todo mal vem só para o mal. Aí que começaram os meus pensamentos sobre as escolhas. Uma da manhã e aquele troço funcionando como um shopping, a todo o vapor. Me deu fome, é claro. Fui no Bobs, lá em cima. "Será que está funcionando?" Como não? Por que lá as coisas são o triplo do preço? Sweet, comer coxinha. Acabei comendo uma coxinhazinha, um mega pedaço de bolo crocante de chocolate com morango e um copão geladíssimo de coca-cola. Eu que só queria comer um hamburguer com batata frita e refigerante...

Aquelas pessoas me fizeram pensar no que elas seriam, no que seriam comigo e no que eu seria com elas. São tantos universos quanto possibilidades. E quantas escolhas eu fiz hoje? Quantos universos criei? Será que somei a este meu universo? Depositei energia nos lugares certos? Quanto tempo eu levaria para fazer uma escolha se em todos os casos parasse para pensar em tudo isso?

sábado, 28 de agosto de 2010

Sábado de sol

Ufa, que semana! Enfim um dia tranquilo, um sábado como outro qualquer. Acordei na sala com a roupa de ontem, um passeio pelas ruas do Recife, quanto mais faço, mais me encanto com as belezas desse lugar. Acordei com o sol. Não por ser cedo demais, mas por ele estar me queimando no lugar que, carinhosamente, chamo de sofá. Sim, também porque o gato já estava inquieto demais pra permanecer ali dormindo simplesmente. Quando levantei definitivamente foi ele quem determinou. Lambidinhas no pé e chorinho na medida certa pra que ninguém mais acordasse, quem sabe, sabe. Levantei, desci com ele, subi e blábláblá...
Há muito tempo que quero escrever, mas não parei essa semana. Depois de um final de semana deprimente e revoltante a segunda foi, claro, de uma ressaca daquelas revigorantes. Ainda estava meio que no final da fase "descrente da vida" na manhã de terça, mas foi quanto tudo começou (eu sempre soube que a semana deveria começar ao meio dia de terça e terminar ao meio dia de sexta, ninguém me escuta...). O start foi alí e tudo seguiu como nos conformes durante a semana. Em casa, estudando, comendo e dormindo cedo, feito homenzinho, que mamãe me ensinou.
Li um livro absurdo, que estou relendo (David Mamet - Sobre direção de cinema) e estudei uns filmes de sempre (Laranja mecânica, O iluminado, Funny Games, Disque M pra matar, Não Amarás). Baixei outros tantos (Nada de novo no front, Mr.Brooks, Mundo imaginário do Dtr. Parnassus, Cidade dos sonhos), comprei o que acredito ser o material para a finalizar minha parede, meio caminho andado pra sala, e ontem, como um bom recifense, fui ao Recife Antigo. Não antes de ir no MUDA e no Central, que estavam sentindo minha falta... acho que não heim?!
Foi exatamente o que notei essa semana, eu tenho uns momentos muito marcantes no meu ano. Já descobri que minhas férias são no meio do ano, as férias que eu gosto de curtir, é o momento de fazer as coisas que eu gosto, com as pessoas que eu gosto, no momento que eu quiser, não sou muito de carnaval. No início de setembro sempre me envolvo em alguma coisa que dura até o meio do primeiro semestre no ano seguinte. Depois disso as coisas ficam mornas até o São João, sempre um momento de acontecimento decisivos (pela inquietude que me causa essa coisa morna), sempre a virada de um ciclo. E aí férias e o ano segue.
Bom, mas como deve ser um sábado como outro qualquer, a programação de hoje tem cinema (animação "Meu malvado favorito"), sushi, um novo bar, ao menos pra mim, e pessoas queridas. Obviamente depois de dar banho no gato, brincar com ele, tirar ao menos metade dos pelos do chão da minha casa, separar a tabela de cores da parede, medir os fios e as mangueiras da iluminação, comer alguma coisa só para aguentar até o sushi, tomarbanhotrocarderoupaedesceresubircomogatoedescernovamenteprasair e pegar dois ônibus.
Ah sim, tá um dia lindo, o céu azul, sem uma nuvem sequer, céu de Brigadeiro. E enquanto escrevo escuto uma seleção mais ou menos assim: Taj Mahal, Luther Allison, Jerry Lee Lewis, Eric Clapton e Ray Charles. E curiosamente Taj Mahal manda Happy Just to be Like... Os Mamonas já cantavam ao sábado de sol, quem sou eu pra negá-lo?

"Bora Gato, tomar banho. Levanta preguiça."

Cheio de coragem.

domingo, 22 de agosto de 2010

Dia do Gato.

Morar em Recife e não esperar do domingo um dia de sol é pedir demais. Desde ontem conto som isso, pra ser sincero é meio que condição desse dia. Domingo sem sol é de lascar, dá um banzo para a segunda-feira que vez ou outra se arrasta a semana inteira, o que, definitivamente, não é bom. Pois é, o dia não clareou.
O Gato dormiu comigo hoje, cedinho me acordou pra ir fazer as tarefinhas matinais. Desci com ele, subimos e deixei logo o seu café da manhã servido. Voltei ao sono e deixei a porta aberta para que ele entrasse e ficasse lá, enquanto eu desfrutava meus preciosos minutos finais do sonho que vinha bastante animado e interessante até o momento da lambida de bom dia no nariz. Ele não queria mais esperar, o dia havia começado muito tempo antes, estava entediado, queria a bolinha amarela. "Tá bom filho, eu me rendo, deixa só eu ver que horas são." Em que relógio? Cadê meu celular com a hora e os compromissos diários? Onde estão os alarmes que há pouco me guiavam entre lugares e tarefas diariamente? Acho que terei de deixar o Gato dormir comigo todos os dias, assim não perco a hora nem o dia. É uma criança, mas sabe o que faz.
Quando desci com ele e a bolinha amarela, ansiava por curtir ao máximo o domingão de sol, porque fazia sol, bastante, dava pra queimar pele de índio. Mas não foi assim por muito tempo. Brinquei um pouquinho e logo subi. Tinha que tomar banho, escolher uma roupa azul e ficar esperando o telefonema dizendo "bora?". Mas o telefonema começou com "óó", tipo: oolha. Já sei que não vai rolar, nem precisa continuar, continua pelo motivo, mas o final todo mundo já sabe. Bom, ninguém foi. Eu fui, entrei no mar, junto aos "tutus", fui no parque Dona Lindú (inaugurado há dois mil, novecentos e quarenta e nove anos e ainda em construção, sem previsão de conclusão, coisas do governo atual) malhar um pouquinho para o projeto verão 2011 e voltei pra casa, na chuva. Tinham razão, o tempo não estava lá essas coisas. Mas o que seria do verão sem as chuvinhas gostosas? Sunday, nem tanto, não é São Pedro?! Acho que final de semana ele não entra na internet.
O que me resta deste dia é Morro da Conceição, Sé, em Olinda, e Pânico mais tarde na Tv. Eu gosto do domingo, mas mais ainda de boas companhias neste dia. Que venham os amigos, o Gato já está aqui do lado esperando eu terminar de escrever.

sábado, 21 de agosto de 2010

E que venha o domingo!

Hoje, depois de uma noite um tanto trágica, mental e fisicamente, retorno a este espaço minúsculo.

Há meses que seguia em busca desse momento, não de forma consciente, claro (não tão objetivo), mas, de certo, um fim anunciado. Ainda me lembro:
- Puta que pariu!
- O que foi?
- O que é isso?
- Conhaque.
- Caralho...
- O que foi?
- Toda vez que eu bebo isso eu me fodo!
- Por que?
- Porque eu me passo.
- Então bebe cerveja.
- Não, hoje eu quero.
O resultado foi: um galo e um corte superficial na cabeça; dois celulares, 22 reais e alguns minutos da noite perdidos... Nada supera os minutos perdidos! Eu sequer posso rir de mim mesmo, porque este aqui, que pensa, que assimila, que registra, não estava lá. Aqueles vão para o baú de minutos perdidos da minha vida.

Descartando a agonia que é a ausência da lembrança e o fato de ter passado o dia pesquisando entre os amigos presentes na noite o possível paradeiro dos objetos e a razão de os ter perdido (os minutos eu sei bem porque e onde perdi), o dia hoje foi... curioso.

Quando olhei pro lado e vi Eduardo dormindo vi que não era tão tarde assim e voltei a dormir. Na segunda vez ele não estava mais lá, já deveria ser tarde. Nem tanto. Ressaca (a dele física, a minha moral), sábado e hora do almoço, desejando aquela Coca gelada: sushi. Munidos de boa vontade e um cartão de crédito (a salvação dos pobres coitados, pobres coitados), fomos eu e ele de bike (na mesma bike, eu o carregando) comer a bem dita comida japonesa. Menos de 1km percorrido, uma chuva, que todo mundo sabia que viria, desabou. Mas o que dois idiotas estão pensando quando vão no risco da chuva, numa só bicicleta, à um restaurante japonês na casa de capeta comer comida crua e fria? Sei lá, foi divertido passar entre os carros parados no sinal buzinando uns para os outros. As pessoinhas em seus aquários com mecanismos tolos que limpam a água, que curiosamente está fora, num movimento de vai e vem irritante. Certo que me molhei um pouco, mas quem se importa? Cheguei primeiro. E apesar do frio que fazia dentro do restaurante, ainda com roupas molhadas, era tudo o que eu queria comer e fazer naquele momento. Essa ânsia irritante de comprar um carro...

A volta foi de lascar também, a barriga cheia demais, o corpo preguiçoso querendo rede (vício). Mas foi rápido, viemos conversando e não estava mais chovendo como antes, até que o sol ensaiava sair.

Passei a tarde desenhando na parede. Ta ficando bom, e eu recebi uma crítica hoje, como deve ser anunciada, que me fez entender melhor tudo. Eles me fazem companhia na verdade, são sentimentos, carências expressas em imagens. São figuras que acompanham a mim e ao ambiente também. Interagem, dinamizam , guiam o que ali se tem pra ver. E ali é em todo lugar, é em mim, na casa, é por onde passo, vou ou imagino que vou e fui. Ali é tudo o que sinto. Cada figura, expressão, imagem, intervenção, foi um momento de explosão, de descoberta, cumplicidade e comunhão. E tudo isso está ali. Vale tanto quanto um sonho realizado.

Agora, no friosinho do final de dia de chuva, chega a fome lentamente, junto da preguiça de cozinhar. Não tem mais nada pra desenhar na sala. Vou contemplar tudo mais algumas vezes, estudar algum filme absurdo, criar coragem e fazer algo bom para comer com gosto. Em seguida, dormir. Amanhã tem praia e um dia lindo de sol. Tá ouvindo, não é São Pedro?

Hoje, depois de uma noite um tanto trágica, mental e fisicamente, de uma manhã de chuva e uma tarde de bom papo e sentimentos na parede,retorno a este espaço minúsculo, um bom sábado. E que venha o domingo!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Um dia de cada vez

A cada dia uma nova lição de vida.

E o menino do interior, recém chegado à cidade grande se vislumbra com tudo novo e se dá conta de ter diante de si a maior e mais difícil de todas as escolhas até então: conhecer todos os detalhes desse mundo ou voltar pra casa dando-se por satisfeito ter visto tudo isso.

Mentalizar a coisa certa da maneira correta pode nos ajudar sim. Acredito que seja essa a melhor maneira d viver e alcançar todos os objetivos, mas vá controlar os pensamentos... E os pensamentos de uma mente hiperativademais? Calma rapaz, calma, tudo a seu tempo.

O passado compôs o dia. Essa brincadeira toda com o tempo as vezes me deixa perdido. As estrelas brilham, as borboletas voam, os amigos voltam e as paredes mudam, mas o alicerce é o mesmo. Sou muito grato pelo dia de hoje, universo. Quero muitos outros assim! Cheio de alegria, calor, boas visitas e surpresas encantadoras.

Hoje, após quase dois anos, me deparei com um filho, um mapa sobre o que há de mais cru e essencial em mim. Em guardanapo, de caneta azul, cheio de signos e caminhos sinuosos. É preciso ter coração de criança pra entrar. Eu envelheci, mas vejo um bebê no colo e sinto que ali dentro tem a mais pura e inocente verdade. Obrigado mais uma vez universo, por me trazer de volta isso.

O filho: www.putameo.blogspot.com

sábado, 10 de julho de 2010

Reencontro saudosista

O dia todo em Jampa.

Ontem foi a estréia de Erêndira no Espaço Muda. Gostei e houveram duas apresentações. Queria ter ficado pra festinha, mas teria que chegar no "quintal de casa" às 8.

Às 5 estava na rua com o Gato. 5:30 na parada esperando CDU. Taxi mesmo, não daria tempo. Tudo tranquilo, pão com charque e suco de goiaba de manhã no hominho da bicicleta e vamos lá. 6, busão.

O dia foi tranquilíssimo por aqui, adorei rever todo mundo, a energia está ótima.

Ainda fico nervoso quando não volto pra casa. Reflexo da correria do Geração, chegava sexta no final da tarde e ia eu e minha mochila nas costas pra casa, pro colo. Essa cidade me lembra regresso. Sempre no mesmo lugar no onibus, pra ver os dois lados da estrada. Tantos pensamentos, sempre tanta saudade. Confesso, continuo. Na verdade tenho pensado que a saudade em mim é uma condição. E mais, é uma relação diretamente proporcional ao tamanho do gostar. Fiquei surpreso com a não aprovação desse fato. Cada mente um mundo, fazer o que?

Pela primeira vez consegui estar relaxado numa entrevista, foi a repórter. O tempo passou que nem vi.

Estava mesmo com saudades da Morena (ói ela aqui denovo). Os tempos que vivi aqui foram únicos, claro, mas falo da riqueza de emoções. Uma família se formou, com direito a cachorrinho de estimação.

Falo que é o quintal porque, além de ser do ladinho de Recife, me sinto mesmo como lá. Primeiro que já tiro o sapato na entrada. Tem pé de jambo, tem cachorro, tem bola, tem espaço e muitos amigos. Brinco, converso, penso, escuto, sorrio muito e choro às vezes. Abraços apertados e papos furados não se podem contar. Neste lugar posso ser criança sempre, sem deixar o adulto que todo mundo teima em ser. Trabalho com prazer e em muitos momentos acho ruim ter de terminar. Mas terminado o trabalho, passado 5 minutos, meu coração aperta, reclama, xinga, não me deixa em paz até que esteja no meu quarto, em casa, com minhas irmãs e aquele sorriso indescritível a me esperar de braços abertos. Quando penso em ficar e lembro do que me espera lá, não consigo optar por outra coisa. Volto pra casa na primeira condução disponível. A estrada se encarrega de acalmar o peito ansioso. Hoje fico com toda essa dor, penso que estão lá a minha espera. Hoje, não estão. Fico. Os amigos se encarregam de afastar a vontade de correr pra rodoviária. A noite valerá a pena. Só não sei se queria uma pena a menos.

Amo essa família. Quero estar do lado de todos e tê-los ao meu lado por quanto tempo for possível.

Meu filho vai dormir só hoje. Ô filho, amanhã de manhã painho chega visse? Coisamaislinda. É pra cuidar da casa. Anrram, eu sei o cuidado que ele vai ter. Mais um ser pra me deixar saudoso. Faz parte.

Bom, vamos ao dia seguinte. Terminar esse antes. Tomar banho, comer, e tentar esconder esse sorriso lindo que povoa minha cabeça.

Ah. Chega logoooooo!

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Palavrinha Mágica

Hoje, 07/07/2010, mais um dia atípico de inverno em Hellcife.

Meu filho, coitado, tem sentido falta do pai. Sei quando chego em casa e só tem merda.

Esses dias de chuva tem sido curiosamente animadores. Saí debaixo de chuva, viajei na conta do ônibus mais rápido pra chegar à Agamenon e aí o sol apareceu. Na hora de corrigir o erro: andar que só o carai.

Nem vi o gol da Espanha. Só agora no telejornal. Mas vi parte do jogo enquanto esperava a chuva passar na produtora. Alguns cafés depois estiou um pouco e voltei com Zé até a Boa vista. Ele seguiu à Casa da Cultura. Eu ao 13.

Aí é que digo que fica bom, vê: Boa Viagem/Sítio da Trindade/Boa Vista/ Parque 13 de Maio/Rua do Lima/Cinema São Luiz/Beco/Casa cheia de merda. E eu que iria trabalhar e à uma reunião às 8.

Lá no xadrez, chuva a tarde toda. É bom pra conversar, os ventos sopram boas notícias. Uma agradável sensação se instaura. Algo parecido com gritar no meio da rua com toda a força do seu corpo.

To cansado de ver o povo se matar no São Luiz. Filme político venezuelano é pau, e com dois historiadores do lado é muito mais. Não bastava a dúvida entre ler a dublagem mal feita e tentar entender o espanhol Fórmula1, aí ficam do meu lado, dois amigos formados em história que, do começo ao fim, comentam e debatem sobre a história da história do filme. No meio do filme. Durante. No meu pé de ouvido. Foi tanto o desespero que eu encontrei um buraco no teto do cinema. No lado direito perto da tela. Tome chuva.

Não sei o que acontece com Recife, não se comem mais dobradinhas como antigamente. 40 minutos? Algumas horas. Cabeçudice que não arte. Capazes de reproduzir entre copos, garrafas, pratos e temperos sobre a mesa, o mapa mundi e os caminhos percorridos por Colombo até as Américas. De Sófocles ao goleiro Bruno. Foi assunto, estava rolando.

Queria mesmo era dizer a palavrinha mágica. Desopilar.

O coitado do Gato é que sofre. To com saudades dele, mas não entendo como ele coloca tanto mais pra fora do que pra dentro.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Palavras sem fim

Corpo em arrepios, sensibilidade à flor da pele. Um telefonema desejado, esperado, de bom dia. Um furacão tropical no inverno, no inferno astral. Algumas pedras a mão e à luta... mas que luta?

Céu azul, chuva rápida como no verão. Passarinhos cantando, uma brisa leve no ar. Bandeirinhas verde e amarela penduradas de um poste à outro, calçada verde e amarela, camisas amarelas penduradas no varal, borboleta amarela passando, coco amarelo no alto, pra lá e pra cá, e uma rede amarela de leve a balançar, parece um dia bem feliz.

Falar de companhia é falar de fidelidade, disposição.

Entender que as pessoas nos vêem de fora.

De teimoso saí de casa a tarde pra ir ao cinema (e entregar um óculos na casa de Ricardo). Encontrei Eduardo lá, demos uma volta ali pelas ruas do centro procurando o que comer. Milho. Missa das 6 na Nossa Senhora de Fátima. Teatro do Parque, “Kick Ass: quebrando tudo”, vale a pena, muita risada. E eu que queria ver um filme político venezuelano no São Luiz... Cerveja na Boa Vista falando de cinema, bate papo na Aurora com um pouquinho de política. Casa, CQC. Cheguei na hoora. Ê saudades, chega logo menina! Uma hora de programa sem intervalo. É filme é? Perdi no ludo, mas foi de propósito, só pra não perder a companhia. Boa noite Ninha. Bom dia Ninha. É bom ser teu vizinho de quarto.

Terça feira, 01:13 do dia 6 de Julho de 2010. Dormir que o dia amanhã será cheio. Será que eu acordo cedo pra ir a praia? Parecendo um doido aqui, escrevendo pra ninguém.

A presença feliz ao meu redor, a opção a escolher, o caminho a seguir, o jogo. Seres (sei lá de onde vindos) que abrilhantam meus dias.

Obs.: roubei teu formato inexistente aleatório. KKKKKK

sábado, 3 de julho de 2010

Saudade

Tenho tentado controlar minha cabeça, não pensar demais, mas as viagens de ônibus são longas... Sozinho no meio de tanta gente, onde sempre me vi protegido, hoje sinto-me diferente: deslocado. Não caibo mais nos espaços, ou eles em mim. Não reconheço sequer meu próprio ninho. Mas ainda reconheço esse espaço aqui dentro que, teimosamente, só cresce, espremendo tudo que há em volta, e ocupa léguas se puder. É saudade. O sangue pulsa mais rápido e a cabeça de forma inversamente proporcional. A concentração e o raciocínio, especialmente o lógico, tiram férias e fazem greve simultaneamente. Tudo se vai e resta esse vácuo, que se alimenta de si mesmo e traz consigo, no centro, em luz vermelha piscante, uma só mensagem, reluzindo no espaço vazio, pedindo atenção, indicando perigo, querendo fogo. Chega a dar calafrios, a solidão faz encolher enquanto o coração pulsa cada vez mais forte. A adrenalina pede ação, mas é tudo tão escuro que só o medo age de fato. Evitar pensar tem sido a melhor saída. Não que o sucesso seja garantido dessa maneira, mas saudades se não mata, morre e morrer não é a melhor opção no momento. Evitar pensar tem sido a melhor saída para desviar desgraças, só ter saudades já é fardo demais. Um dia uma mocinha bela disse que esse era o sentimento que mais a tirava do eixo. Tens toda a razão moça, quem não se perderia?